Desabafo...

É noite. Tu se depara com aquele momento crucial da tua vida, em que tu não sabe se deve falar ou não. Mas, com tanta coisa sendo injustamente sufocada dentro de ti, torna-se inevitável que, em algum dia, em alguma hora, esse grito de desespero rompa o silêncio da tua alma. Como pode tanta dor? Em que lugar do caminho ficou Deus? Tu te encontra preso. Escravo do teu silêncio, escravo da tua dor. Escravo dos teus sonhos, que já ficaram pelo caminho também... Trata-se de não se enxergar mais parte do mundo. De não conseguir se encaixar na parte mais bonita da vida, que é ser feliz. Aonde ficou tudo isso? Será que nunca existiu? As algemas se encontram a cada dia mais apertadas... A dor te escorre pelos olhos. A dor te cerra os dentes. Não enxergo nada mais que um vazio. Deixou que a dor te transformasse no que nunca devia ser. Desistiu do amor, desistiu... Se agachou naquele canto escuro da tua alma, e ficou a suspirar sozinha, a engolir teu choro, a sufocar a tua essência! Desistiu de ti mesma... As tantas máscaras que usa, nunca esconderam teus olhos. Nunca esconderam aquilo de que tua alma é cheia. Não passa de uma criança, acocada em um cantinho de quarto escuro, reprimida pelos pais, pela vida, pelo desamor. Faz da solidão tua melhor amiga...e com ela chora em silêncio, todas as noites. Desistiu de ti mesma... Mas eu não!
A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando descobrimos que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos. Pe. Fábio de Melo

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