Salgadinho

Tu te encontra tão preso em uma parte do teu passado que não tem nem mais forças pra tentar escapar.. Já faz parte dos meus dias lembrar daquelas segundas ensolaradas em que eu saía para o vôlei, mesmo contra a vontade do meu pai. E ia tão faceira! Como se tivesse indo para a festa mais linda que pudesse existir. Subia a rua e pegava aquele onibus. Que alegria que era andar de ônibus...uma aventura! Sentar naquele último banco e não me segurar em lugar algum só para ir de um lado para o outro. E era tão divertido. Uma viagem. 15 minutos de onibus para chegar no ginásio e treinar, aquele voleisinho simples...coisa de criança sabe. Mas era tão bom. Aquela sensação de estar fazendo algo bem. Como eu ficava feliz jogando volêi. Pena que terminava logo... Esperava o ônibus, e fazia o mesmo trajeto. Quanto antes em casa, melhor! Ainda precisava ajeitar a comida. Mas antes de chegar em casa, era quase que rotineiro: parava no armazém da esquina e comprava um salgadinho! Chegava em casa, antes de meu pai ter voltado do trabalho e comia com meu irmão...rapidinho antes do almoço. Ele vinha com uma promoção. Um brinquedinho, algo deste tipo. Nós sempre revezávamos. Uma segunda o brinquedo era meu, na outra era dele. Aquele salgadinho tinha um gosto tão bom. E fazia um barulho tão divertido. Como a gente ria comendo salgadinho. Como isso era bom... Talvez, da minha infância, uma das melhores lembranças! Hoje, eu já nem como mais. Não tem o mesmo sabor, nem faz um barulho tão legal. Não é tão engraçado. Não é com meu irmão... SE eu pudesse realizar um desejo hoje, por mais incrível que pareça, queria voltar a ter 10 anos. Só pra lembrar da felicidade simples, da simplicidade feliz. Só pra comer salgadinho com meu irmão e rir do barulhinho outra vez!

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